Em abril/08 iniciei minhas aulas de Aquarela. A atividade envolveu fazer um "desenho cego" (olhar para alguns objetos na mesa, riscar a folha sem olhar para o papel). A criação do desenho também ocorria de forma colaborativa. Cada pessoa fazia uma parte - como num jogo de "escravo de jó".
Em círculo, cada pessoa passava pela folha do colega ao lado e diante de uma "nova perspectiva" dos objetos "riscava" algo que escolhia a partir de sua visão do momento. Finalizado o ciclo do "trabalho coletivo", de posse do resultado gerado, cada pessoa iniciava a pintura da sua folha.
É interessante lembrar o sentimento de aceitação do produto obtido, ou a minimização da crítica em relação aos desenhos gerados. Neste momento pode-se dizer que houve uma "des-identificação" do "criador" com a "criação", do observador com o observado, o que - fazendo uma analogia - facilitou a "apreciação da totalidade". Talvez esta abertura para lidar com o desenho obtido seja decorrente da dinâmica da atividade que auxiliava a constatação de ser algo realizado coletivamente e com a geração de resultados imprevisíveis (devido os autores não olharem para o papel e portanto não terem controle sobre a precisão ou "perfeição" dos traços).
A "aceitação" do resultado e a "não relutância" pelo produto facilitou o "mergulho" na próxima ação: escolher cores e pintar os elementos, os espaços ou as conexões entre eles.
